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O Primeiro.

Segunda-feira, 28 de Agosto de 2017, meia noite e trinta três. Hora de dormir, eu sei, mas há horas estou aqui tentando conceber um novo blog, onde a partir de hoje, será o meu "extravasa", meu muro de lamentações, divã virtual, tudo isso ou nada disso. Independente da intenção, farei daqui um painel de criação e constante exercício. Uma espécie de caligrafia virtual onde seguirei a minha própria linha de raciocínio, compartilhando textos, poesias, frases, fotos e o que me der na telha. Liberdade e felicidade em minhas "horinhas de descuido".

E para começar, aproveitando o recente lançamento do CD de Chico Buarque, "Caravanas", [re]posto aqui um poema feito por mim há alguns anos, em homenagem às suas canções, bálsamo de inspiração, criatividade e emoção.

                                                   © Foto de Leo Aversa/O Globo. Chico Buarque caminha na Praia do Leblon. Rio de Janeiro, 2004.


Buarquear [Vitor Lima]

Eu buarqueei...
... ao te ver, sob medida , passar por mim,
ao sentir a tua presença como tatuagem em minha existência.
Eu buarqueei...
... quando mar e lua se uniram para tanto amar,
quando futuros amantes olharam nas vitrines,
os bastidores de seu sonho impossível.
Eu buarqueei...
... ao dedicar todo o sentimento 
na construção de uma vida  à flor da pele e sem fantasia,
quando obtive a certeza de que qualquer canção se transformaria num desalento,
não sendo capaz de estabelecer sobre todas as coisas, o meu amor.
Eu buarqueei...
... ao encontrar o nosso retrato em branco e preto
rasgado atrás da porta como um folhetim, cujo epílogo sequer insinua
a dimensão de quanto eu te amo.
Eu buarqueei...
... quando paratodos precisei esconder até o fim, minha história,
quando mil perdões pedi por um pecado que não existe ao sul do Equador,
mas deixa a menina sonhar com as cidades.
Eu buarqueei...
... ao mirar meus olhos nos olhos da criatura com quem, outra noite, 
dancei num chão de esmeraldas , a valsa mais brasileira,
fazendo - me reviver os anos dourados que passei,
após ouvir com açúcar e com afeto, o seu último bom conselho.
Eu buarqueei e buarquearia...
... se comigo estivesses quando o carnaval chegar e, juntos, 
“no palco, na praça, no circo, num banco de jardim“,
esperássemos a banda que vai passar.
Apesar de você não acreditar.

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