Pular para o conteúdo principal

Anti-Doce


Hoje, até o doce está doce demais.
O sabor açucarado me causa náusea de raiva por necessitar de enérgico sabor.
O doce, hoje, não me despertou frescor.
A glicose atingiu minha alma, passando batida pelo meu sangue em brasa.
O dócil me traz o ócio de ter de fazer o que não me agrada,
O que me revolta,
O que me agride moralmente.
Não há paladar que me aguente!
Hoje, e nas próximas horas, nos momentos recentes,
Tudo em mim, agora, transcende.
Ultrapassa os devidos e coadjuvantes espaços,
Rompendo laços de infinita aflição.
Eu quero gritar!
Não devo.
Eu quero voar...
Não posso!
Eu quero extirpar a dor que habita em meu peito.
Exagero?
Só sei que não me aguento mais.
Hoje, até o doce está doce demais
Eu, ácido.
O que faço para encontrar alguma paz?


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Da série "Frogmentos"...

“Incomoda-me demais esse ranço sócio-político-preferencial que nos envolve e que as redes sociais só fazem estimular.  O "pensamento" é restrito e o foco principal acaba sendo sempre descartado em função de individualismo e miopia cultural.” 

Sobre Trilhos à Beira-Mar

Imagens vêm e vão. Não me deixam em paz nos intervalos. Procuro ocupar meu tempo Com coloridos e infindáveis pensamentos A fim de sublimar meus medos. Eles nem são tantos... Representam apenas mais ou menos, grande parte de mim. Imagens vêm e vão. Elas se renovam e se revezam em lembranças E me levam de volta àquela maldita estação Onde por longos minutos, vida minha quase vi por um fio. Um fim de linha. Stop! “Nossos comerciais, por favor!” Retornar à realidade doeu no corpo deveras cansado. A alma aturdida, Mente descontrolável. Onde estão os meus sentidos nessa noite de abismos e sombras? Madrugada tão pouca em breve acalmar. Todas as canções, todas as futuras alegrias nos próximos dias, Não me farão chegar ao que eu fui um dia, À calmaria de um desconfortante recomeçar. A vida passa como desgraça sobre trilhos à beira mar. É preciso seguir, submergir para não naufragar. Sonhos, ainda em mim. Vida há enfim.